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O que as horas guardam nos espaços do contra-tempo?
A mulher?

Mulheres sombras bonitas e o sol
Dos desejos dos tios e dos avós
Muitas crianças bonitas chorando
E o desejo, o desejo

 

Lirinha e Otto cantando Meu Mundo

“Estou convencido do seguinte: é melhor ser impetuoso do que cauteloso, porque a fortuna é mulher, e é necessário para submetê-la, bater nela e maltratá-la. Vê-se que ela se deixa vencer mais pelos que agem assim dos que  pelos que agem friamente; e como mulher é sempre amiga dos jovens, porque são menos cautelosos, mais ferozes e a comandam com maior audácia”.

Maquiável

No texto sobre a Filosofia do Direito, Hegel retomará a noção de alteridade e amor para levar a discussão sobre a realização da liberdade que restringe, mas que não é considerada castradora dos impulsos, pois estes são na verdade racionais e universais enquanto vontade livre.

Mas é no Livro da Estética onde encontraremos suas definições sobre amor, acompanhadas de todo seu arcabouço romântico, pois que defenderá a renuncia de si, a lealdade e união das duas consciências em uma única (que é um Outro em Si). “O conteúdo do amor implica os momentos que já definimos e que constituem o conceito fundamental do espírito absoluto: o regresso tranquilo a si partir do que é de outrem. A verdadeira essência do amor consiste em suprimir a consciência de si mesmo, em esquecer – se num outro eu, com o fim de neste olvido e nessa supressão se reencontrar e se reapossar de si mesmo. Essa mediação do espírito consigo mesmo e a sua elevação a totalidade constituem o absoluto, não no sentido do que é absoluto, o conteúdo da subjetividade, que se mediatiza consigo mesmo num outro, é o espírito que só se satisfaz quando chega a saber-se e a querer-se como absoluto num outro espírito”.

Rafael Haddock Lobo reconhece aqui a violência do Eu/Mesmo sobre o Outro e o aniquilamento da alteridade, como colocado anteriormente: ‘quando estou no Outro não há mais alteridade para mim’. E indica como um dos resultados – quando a alteridade for um Outro desejante – as possibilidades do conflito entre os desejos que serão impostos em virtude dos desejos que serão nesta união em um Outro (não empírico) a determinação da identidade.

Esta estética poderia nos levar, como diz Haddock -Lobo, a reconhecer e discutir como se dá a alteridade na dialética do senhor-escravo, sobre a qual não há duvida de qual desejo prevalece e qual violência de Si é vitoriosa.

No entanto, em sua leitura, ele contrapõe à esta violência do Mesmo um espaço que o amor ocupa  – e exatamente onde esta violência pode se dar de forma mais harmoniosa – , pois um retorno tranquilo a si, que nos remete às restrições de ‘bom grado’, é feita em nome do amor. (Ainda que as restrições já tivessem naquela época um sujeito do verbo definido, a mulher).

“então o outro vive em mim e eu nele. Vivemos eu e o outro, e um estado de plenitude e igualdade, e nessa identidade pomos toda nossa alma e dela fazemos um mundo” (Hegel apud Haddock-Lobo, p. 152).

Que houvesse o elogio da renúncia a si e a enunciação da mulher como sujeito do amor mais belo – foi a tentativa de uma “redenção” hegeliana pra não dizer reafirmação desta relação também de poder (renunciar ou não).

HADDOCH-LOBO, Rafael. A Estética de Hegel e o Ideal Romântico do Amor. Disponível Online em: [http://www.oquenosfazpensar.com/adm/uploads/artigo/a_estetica_de_hegel_e_o_ideal_romantico_do_amor/n16rafael.pdf]

* trecho extraído da monografia final da disciplina Teoria das Ciências Humanas I – Filosofia USP. Título: Amor e Totalidade em Hegel – A Crítica da Violência do Mesmo.

“What could, then, be massively evidente in this immense, modern and angeless procession in this theory of the political working its way in the middle of the desert, what strikes us in this philosophy of merciless war, in this staging of ‘physical’ killing, in this implacabe logic of absolute hostility, what should be massively evident but goes as unnoticed as absense itself, what dissapears in becoming indescernible in the middle of the desert is the woman or the sister. Not even a mirage. Nothing. Desert and absolute silence, it would seem. Not even a woman-soldier. No even in the theory of the partisan is there the leats reference to the role played by women in guerrilla warfare, in the wars and the aftermath of wars of national liberation (in Algerian today, for example – for another liberation, since Schmitt speakes of the Algeria of Salan). Never a word for the action of women resistance movements (Schmitt is then more eloquent, let it be said in passing, when he evokes the resistance against Napoleonic empire, French imperialism in general: and he remains so discreet on the subject of those women whom the Nazi occupation forces encountered not so long ago; they could nevertheless have provided him with interesting examples at the time of theory of the partisan). If the woman does not even appear in the theory of the partisan – that is, in the theory of the aboslute enemy – if she never leaves  a forced clandestinity, such an invisibility, such a blindness, gives food for thought: what if the woman were the absolute partisan? And if she were the absolute enemy of this theory of absolute enemy, the spectre of hostility to be conjured up for the sake of the sworn brothers, or the other of the absolute enemy who has become the absolute that would not even be recognized in a regular war? She who, following the very logic of the theory of the partisan, becomes an enemy all the more awesome in not being able to become a female enemy; in his blurring, in her blurring and interference with the reassurence limits between hostility and hatred, but also between enmity and its opposite, the laws of war and lawless violence, the political and its others, and so forth.”

Derrida sobre Schmitt. The Politics of Friendship. pag. 156-157.

_ Hão de vir os outros, os da família de Mariano. Virão buscar as coisas, disputar os dinheiros.

_ Havemos de falar com eles, Avó.

_Você não conhece a sua raça, filho. Eles olham para mim e veem uma mulher. Sou uma viúva, você não sabe o que é isso, miúdo.

Ser-se velha e viúva é ser merecedora de culpas. Suspeitaram, certamente, que a Avó seria autora de feitiços. O estado moribundo de Mariano seria obra de Dulcineusa. De repente, a Avó se convertia numa estranha, intrusa e rival.

_ Não os quero aqui, viu Mariano?

_ Escutei, sim.

_Você é quem meu Mariano escolheu. Para me defender, para defender as mulheres, para defender a Nyumba-Kaya. É por isso que lhe entrego as chaves.

Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra

Mia Couto

Há um tempo atrás, publiquei um discurso do secretário geral da ONU sobre a relação entre a mulher e o crescimento econômico. Ontem, mais uma vez, este discurso foi reafirmado:

ONU diz ao mundo empresarial que igualdade de gênero é “bom negócio”

De Agencia EFE – 08/03/10

Nações Unidas, 8 mar (EFE).- A ONU pediu nesta segunda-feira ao mundo empresarial um esforço maior para eliminar os obstáculos que ainda dificultam a ascensão da mulher no ambiente corporativo e impedem o aproveitamento de todo o seu potencial.

O organismo aproveitou a comemoração do Dia Internacional da Mulher para apresentar um guia com recomendações para avançar na igualdade de gênero na iniciativa privada, questão ainda em debate na luta pelos direitos da mulher.

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, ressaltou que a igualdade de gênero não é apenas um “assunto de direitos humanos”, mas também “um imperativo econômico e social”.

“Até que mulheres e meninas não se libertem da pobreza e da injustiça, objetivos como a paz, a segurança e o desenvolvimento sustentável estão em perigo”, apontou Ban em nota.

As recomendações ao setor privado apresentadas pelo Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem, na sigla em inglês) e o programa de responsabilidade corporativa do organismo, Global Compact, ganharam o título de “A Igualdade é Negócio”.

“Faz tempo que se conhece o efeito multiplicador de dar força à mulher, mas o que é significativo e novo hoje em dia é que o próprio mundo corporativo sabe que a igualdade é um bom negócio”, disse a diretora da Unifem, Inés Alberdi.

Alberdi e o diretor-executivo do Global Compact, Georg Kell, enumeraram em entrevista coletiva sete princípios que o mundo empresarial pode seguir para integrar a mulher em postos de comando com sucesso.

Ambos lembraram que a presença da mulher em cargos altos e conselhos de direção continua sendo muito baixa e citaram como prova disso um estudo da emissora britânica “BBC” de 2009 segundo a qual apenas 10% dos diretores das 100 principais empresas com ações na bolsa de valores de Londres são mulheres.

Kell e Alberdi também falaram que uma recente pesquisa da empresa de consultoria McKinsey feita com 2.300 altos executivos de empresas multinacionais revelou que as companhias com políticas de promoção da mulher têm lucros maiores.

Alguns dos princípios incluídos no guia são a adoção da igualdade como prioridade nos altos escalões das companhias, a implantação de uma política de tolerância zero ao assédio sexual e a promoção da educação e do treinamento da mulher.

Segundo Alberdi, estas recomendações abordam os obstáculos que continuam impedindo o avanço da mulher na iniciativa privada, como o assédio e a violência sexual.

Entre 40% e 50% das mulheres da União Europeia (UE) disseram ter sido alguma vez alvo de assédio sexual.

Essas recomendações querem dar um novo impulso à integração da mulher no mundo empresarial, um dos terrenos em que a ONU considera que ainda há muito a fazer.

Este é, além disso, um dos aspectos da luta pelos direitos da mulher que a 54ª sessão da comissão da ONU sobre o status jurídico e social da mulher debate na sede do organismo entre os dias 1º e 12 de março.

Em entrevista à Agência Efe, Alberdi ressaltou que um aspecto no qual houve avanços definitivos é a “consolidação da legitimidade dos direitos das mulheres”.

“Eu não acho que haja nenhuma empresa ou nenhum país que possa defender legitimamente que os direitos das mulheres não são direitos humanos, e que não é necessário que participem da política ou que tenham os mesmos salários dos homens”, ressaltou.

Segundo ela, desde a Declaração de Pequim de 1995, que considerou os direitos das mulheres como fundamentais para o desenvolvimento, o debate se centrou em levar à prática os avanços legais adquiridos desde então.

“Quanto aos compromissos da comunidade internacional, a aceitação por parte dos Governos e a legitimidade das propostas e demandas das mulheres, não há dúvida que avançamos muito. O problema é a implantação”, acrescentou.

Alberdi ressaltou que o “próximo horizonte” na defesa dos direitos das mulheres é alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio em 2015, já que suas oito metas estão ligadas ao progresso da mulher.

A diretora da Unifem também considerou importante que as Nações Unidas iniciem a nova “superagência” centrada na promoção e na defesa dos direitos da mulher cuja criação foi autorizada pela Assembleia Geral no ano passado.

E se a dimensão da feminilidade estiver em um espaço pré-ético?

O Outro cuja a presença é discretamente uma ausência , e a partir da qual se dá o acolhimento hospitaleiro por excelência que descreve o campo da intimidade, é a Mulher. A mulher é a condição do recolhimento, da interioridade da casa e da habitação” (Lévinas).

Ética, enquanto morada, é aqui o espaço que a mulher ocupa como uma acolhedora em si.

“O que nos remete à sua interidade essencial e ao habitante que habita antes de todo habitante, ao acolhedor por excelência, ao acolhedor em si – ao ser feminino” (Lévinas, Totalidade e Infinito).

Derrida propõe: esta interpretação pode ser lida como uma hipérbole androcêntrica ou hipérbole feminista. Neste último caso, o feminino é compreendido como acolhimento e origem anárquica da ética e a diferença sexual, como um espaço de uma ética emancipada de ontologia.

Mas será preciso escolher aqui entre duas leituras incompatíveis? Existe lugar para esta escolha em uma ética? E no direito? E na justiça? E na política?  (Derrida, Adeus a Emmanuel Lévinas).

Mas as conclusões de Tempo e Infinito, de Emmanuel  Lévinas, reconduz este acolhimento hospitaleiro à fecundidade paterna, o pai torna- se agora o hospedeiro infinito.